A aquicultura e pesca no Brasil devem atravessar um período de grande desenvolvimento nos próximos anos. O País produz hoje pouco mais de um milhão de toneladas de pescado, mas segundo estimativas do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) o setor tem um potencial para produzir mais de 10 milhões de toneladas por ano. Os fatores que potencializam este crescimento é a existência no País de um clima favorável à atividade aquícola aliada à presença de 13% do total de água doce disponível no planeta, com 5,500 milhões de hectares de reservatórios, além de um litoral de mais de oito mil quilômetros. Também há uma expectativa de que o consumo per capita do pescado (incluído aqui produtos da pesca e da aquicultura) possa saltar dos atuais 6,8kg para 11kg nos próximos anos.
A AquaFair 2010 – Feira Internacional de Aquicultura, Maricultura e Pesca será uma oportunidade única para que todo o setor esteja reunido em um único local, não só discutindo seus desafios, mas também fechando negócios e fortalecendo toda a cadeia produtiva. O evento será realizado em Florianópolis (SC) entre os dias 05 e 07 de outubro. Além da feira de negócios, a AquaFair ainda tem em sua programação um seminário com temas conjunturais e técnicos, no qual analistas e pesquisadores de renome nacional e internacional ministrarão uma série de palestras.
O secretário de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura do MPA, Felipe Matias está auxiliando a coordenação do seminário internacional. O temário será coordenado por Ariovaldo Zani, vice-presidente Executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Nutrição Animal (Sindirações), Joao Donato Scorvo Filho, zootecnista e doutor e pesquisador da APTA Leste Paulista e Fabiano Muller, chefe da Epagri Aquicultura e Pesca. A AquaFair ainda será palco de uma reunião do Comitê de Organismos Aquáticos (Coaqua), órgão ligado ao Sindirações, e que reúne os executivos das maiores indústrias do setor de nutrição animal com atuação no segmento peixes e/ou camarões.
Felipe Matias, secretário de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), fala sobre o atual momento da produção aquícola brasileira e sobre o potencial da atividade no País.
A aquicultura brasileira tem um enorme potencial. Qual foi o crescimento do setor nos últimos anos?
FM - A atividade apresentou um crescimento significativo. Em 1998, a produção aquícola nacional foi de 103.914 toneladas. Já em 2007 produzimos 289.049 toneladas. Deste modo, em uma década, o crescimento da produção foi de 178%. Acreditamos que a aquicultura produzirá 570 mil toneladas em 2011.
As tendências para o mercado aquícola são promissoras?
FM - Sim, a população brasileira está aumentando o consumo de pescado, pois é um alimento nutritivo, saudável e gostoso, apesar do preço ainda ser alto.
Como o ministério vê o desenvolvimento da aquicultura no Brasil?
FM - O MPA trabalha com o aumento de produção, mas com inserção social, responsabilidade ambiental e viabilidade econômica, ou seja, é o desenvolvimento baseado nas dimensões técnica, econômica e socioambientais de sustentabilidade.
Qual tem sido o foco do trabalho do MPA?
FM - Estamos construindo as bases para transformar o potencial da aquicultura brasileira em realidade. Temos trabalhado muito a questão ambiental e um grande avanço nessa área foi a resolução Conama n° 413, que simplifica e agiliza o licenciamento ambiental para a aquicultura. Temos trabalhado também a parte social, que avançou com a resolução do processo de cessão de uso das águas de domínio da União, e a parte econômica, que é consequência dessas duas primeiras.
Que regiões terão maior destaque neste segmento e qual o mercado potencial?
FM - Todas as regiões têm um grande potencial, mas cada uma com aspectos regionais que precisam ser respeitados. Na região Norte predomina peixes como o tambaqui e o pirarucu. No Nordeste, a preferência é pela tilápia e pelo camarão marinho. No Sudeste a tilápia tem grande presença na aquicultura. No Sul predominam as carpas, as tilápias, as ostras e os mexilhões. Já no Centro-Oeste se vê tambaqui, tambacu, pacu e pintados, entre outros.
Quais as perspectivas para a aquicultura no Brasil no curto prazo?
FM - O Brasil ocupa, historicamente, a 17ª posição entre os maiores produtores do mundo. Em cinco anos deveremos estar entre os dez maiores produtores e, nos próximos 20 anos, entre os cinco maiores produtores do mundo.
O senhor está auxiliando o temário técnico da AquaFair. Que assuntos serão abordados durante o evento?
FM – Estarão em foco as questões relevantes para o desenvolvimento do setor no Brasil: o licenciamento ambiental, a parte social da atividade e os aspectos relativos à sanidade. O aumento da produção de qualquer atividade zootécnica exige um controle da parte sanitária, até para que possamos evitar problemas futuros. Em suma, esses serão os principais tópicos discutidos.